Em uma análise contundente, André Veras, embaixador do Brasil no Irã, expressou suas preocupações sobre a viabilidade de uma mudança de regime no país. Em entrevista ao jornalista José Luiz Datena, durante o programa Alô Alô Brasil, Veras descreveu o processo como uma tarefa monumental, marcada por desafios significativos e consequências econômicas globais.
Veras destacou que uma tentativa de derrubar o regime islâmico por meio de intervenções militares estrangeiras seria extremamente complexa. Segundo ele, a simples realização de ataques aéreos não seria suficiente para provocar uma mudança significativa. "Não haveria uma possibilidade de mudança se pensássemos apenas em ataques aéreos", afirmou.
Após os primeiros ataques aéreos que resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei e em diversas baixas civis, a população iraniana demonstrou notável resiliência. Veras observou que, apesar das adversidades, a infraestrutura básica do país ainda opera. "O comércio está aberto, as escolas continuam com aulas remotas e os mercados estão abastecidos", relatou. No entanto, ele mencionou que a gasolina está sendo racionada devido a limitações prévias da capacidade de refino do Irã.
A recente substituição de Ali Khamenei por seu filho, Seyyed Mojtaba Khamenei, também gerou comentários significativos. Veras observou que a rapidez com que a liderança foi transferida demonstra a estrutura legal sólida do Irã. A Assembleia dos Especialistas escolheu Seyyed apenas dias após a morte de seu pai, indicando um processo institucional robusto.
O embaixador também destacou que a ascensão de Seyyed Khamenei pode reavivar críticas internas ao regime, especialmente em um momento em que protestos contra o aumento do custo de vida e repressão política estão em alta. A escolha do novo líder, segundo Veras, pode dar a impressão de continuidade da dinastia, algo que se contrapõe aos ideais da revolução islâmica de 1979.
Apesar da situação tensa, o embaixador informou que não houve necessidade de discutir a retirada de cidadãos brasileiros do Irã, uma vez que as fronteiras permanecem abertas. Atualmente, há cerca de 200 brasileiros no país, a maioria mulheres casadas com iranianos. Veras mantém contato constante com o Itamaraty para garantir que a situação dos cidadãos brasileiros seja monitorada adequadamente.
A análise do embaixador André Veras fornece uma perspectiva importante sobre os desafios e as possibilidades em um contexto de instabilidade no Irã. Sua avaliação ressalta a complexidade da situação e a resiliência do povo iraniano, ao mesmo tempo em que propõe reflexões sobre a eficácia de intervenções militares e a dinâmica política interna do país.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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