No contexto da segunda metade do século 19, no Espírito Santo, duas meninas escravizadas, de apenas 12 e 14 anos, deram um passo audacioso ao buscar a Justiça contra seus proprietários por abusos e violência. Embora suas tentativas não tenham sido bem-sucedidas, o episódio destaca a coragem e as possibilidades de resistência mesmo em um ambiente de exploração severa.
A historiadora Silvana Santus aborda essa temática no seu novo livro, intitulado "Sobre a Vida Delas", que será lançado no dia 19 de março, no Museu Capixaba do Negro (Mucane), em Vitória. A obra mergulha no cotidiano e nas lutas de crianças negras durante o período da escravidão, oferecendo uma visão crítica sobre suas experiências.
O evento de lançamento incluirá a exposição de 14 fotografias e gravuras do período que retratam a mão de obra infantil escravizada entre 1870 e 1888. Essas imagens, que fazem parte do domínio público e de acervos como o do Instituto Moreira Salles (IMS), proporcionam um vislumbre da realidade enfrentada por essas crianças, muitas vezes tratadas como mercadorias.
Silvana Santus destaca que as crianças escravizadas eram frequentemente vendidas, trocadas ou alugadas, e seu valor era geralmente inferior ao dos adultos. Elas realizavam tarefas pesadas tanto nas propriedades rurais quanto em ambientes domésticos, levando uma vida marcada pela invisibilidade e exploração. A autora também analisa a forma como a sociedade da época percebia e tratava essas crianças.
Um exemplo significativo abordado no livro é a lei provincial nº 25, de 1869, que previa a libertação de meninas entre 5 e 10 anos, desde que educadas para serem menos problemáticas. Embora a norma tenha sido aprovada, apenas 50 meninas foram beneficiadas, evidenciando as limitações das políticas da época.
A pesquisa de Santus visa não apenas resgatar a história, mas também promover uma discussão sobre os desafios enfrentados por crianças negras na contemporaneidade. Um caso emblemático é o do menino negro Miguel Santana da Silva, que em 2020 caiu de um edifício no Recife, após ser deixado sozinho em um elevador. A historiadora reflete sobre como esse incidente revela a desumanização e a desvalorização das vidas das crianças negras, um legado do passado escravista.
Silvana Santus propõe uma ação mais efetiva do poder público em relação às crianças negras, especialmente em ambientes escolares. Ela defende a necessidade de reformular os currículos escolares para que reflitam e abordem as realidades enfrentadas por essas crianças, combatendo a invisibilidade e as violências que muitas vezes se tornam parte de suas experiências desde a infância.
O lançamento do livro "Sobre a Vida Delas", da historiadora Silvana Santus, ocorrerá no Museu Capixaba do Negro (Mucane), localizado na Avenida República, 121, Centro, Vitória/ES, no dia 19 de março, às 18h. O evento promete ser uma oportunidade valiosa para refletir sobre a história da escravidão infantil e seus impactos ainda presentes na sociedade.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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