No bairro Parque Jardim Burnier, em Juiz de Fora, Cláudia da Silva se destaca como um símbolo de resiliência e solidariedade em meio a uma tragédia pessoal. Desde que as chuvas torrenciais atingiram a região, ela tem dedicado seu tempo a oferecer alimentos e bebidas aos moradores, bombeiros, voluntários e jornalistas que atuam na área. Apesar de sua disposição em ajudar, Cláudia carrega o peso de um luto profundo, tendo perdido quase 20 membros de sua família devido aos deslizamentos provocados pelas chuvas.
Com 71 anos, Cláudia sempre foi uma residente ativa de seu bairro. Recentemente, ela enfrentou a dor de perder vários sobrinhos e uma cunhada. Enquanto uma sobrinha permanece desaparecida entre os escombros, Cláudia se recusa a ir aos enterros, optando por permanecer no local onde pode oferecer ajuda: "Eu não tenho condições psicológicas de ir aos enterros. A gente vê isso em outras cidades e não acredita que vai acontecer com a gente. Eu prefiro ficar aqui mesmo, tentando contribuir com as pessoas", desabafa.
A tenda onde Cláudia serve as refeições é fruto da solidariedade local, uma vez que os suprimentos são obtidos por meio de doações da comunidade. Ela expressa frustração com a falta de apoio das autoridades: "Tudo aqui é voluntário. Vemos os políticos subindo aqui, fazendo vídeos para as redes sociais, mas ainda não chegou nenhum centavo para as famílias". Essa situação ressalta a importância da mobilização comunitária em tempos de crise.
Desde a última segunda-feira (23), a Zona da Mata mineira tem enfrentado chuvas intensas que resultaram na morte de pelo menos 65 pessoas, com 59 falecimentos em Juiz de Fora e seis em Ubá. A catástrofe também provocou deslizamentos em diversas localidades e deixou mais de 4,2 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas. Os bombeiros continuam a atuar em três frentes de trabalho na cidade, especialmente em áreas severamente afetadas como os bairros Paineiras, Parque Jardim Burnier e Linhares.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta de perigo para chuvas intensas que deve vigorar até as 23h59 desta sexta-feira. As previsões indicam a possibilidade de chuvas entre 30 e 60 milímetros por hora, além de ventos fortes que podem atingir velocidades entre 60 e 100 quilômetros por hora. Esses fatores aumentam o risco de quedas de energia, alagamentos e descargas elétricas, mantendo a tensão na comunidade já fragilizada pela tragédia.
A história de Cláudia da Silva é um reflexo da força da comunidade em tempos de adversidade. Enquanto as chuvas continuam a ameaçar a segurança da população, a solidariedade se torna um pilar fundamental na recuperação e no conforto daqueles que enfrentam perdas inimagináveis. A luta por apoio das autoridades também destaca uma necessidade urgente de um sistema de resposta mais eficaz a desastres, que possa oferecer uma rede de segurança para os cidadãos em momentos críticos.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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