O mês de maio de 2023 foi marcante para a caderneta de poupança, que apresentou uma entrada líquida de R$ 2,6 bilhões, conforme informações do Banco Central (BC) divulgadas nesta terça-feira, 9 de maio. Este resultado reflete um cenário onde os depósitos superaram os saques, sinalizando uma mudança na tendência observada nos últimos anos.
Durante o mês passado, foram registrados depósitos totais de R$ 368,4 bilhões, em contraste com R$ 365,8 bilhões em saques. Além disso, os rendimentos creditados nas contas de poupança alcançaram a marca de R$ 6,2 bilhões, elevando o saldo total da caderneta para pouco mais de R$ 1 trilhão.
Este é o primeiro mês de 2023 em que a caderneta apresenta uma entrada líquida, interrompendo uma série de retiradas que se estendiam pelos anos anteriores. Em 2023 e 2024, as retiradas líquidas acumuladas foram de R$ 87,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente. Durante o ano passado, o saldo negativo atingiu R$ 85,6 bilhões, evidenciando uma pressão crescente sobre a poupança.
Nos primeiros cinco meses de 2023, a caderneta já acumulou R$ 39,1 bilhões em retiradas líquidas. Entre os fatores que contribuíram para este cenário estão as elevações na Selic, a taxa básica de juros, que se manteve alta, incentivando os investidores a buscar alternativas mais rentáveis. Desde junho de 2025 até março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o patamar mais elevado em quase duas décadas.
Em abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, reduzindo-a para 14,5% ao ano. Essa foi a segunda redução consecutiva, mesmo diante das incertezas geradas pela guerra no Oriente Médio e das expectativas de inflação em ascensão. O Copom, no entanto, não forneceu indicações sobre futuras mudanças nas taxas.
A Selic desempenha um papel crucial na estratégia do BC para controlar a inflação, cuja meta é de 3% segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O aumento da taxa visa conter o consumo excessivo, o que impacta diretamente os preços ao encarecer o crédito e estimular a poupança. Em abril, a inflação foi impulsionada pelos preços dos alimentos, resultando em um fechamento de 0,67% e acumulando 4,39% nos últimos 12 meses, ainda dentro da meta estabelecida.
Os números referentes à inflação de maio serão divulgados pelo IBGE na próxima sexta-feira, 12 de maio, e são aguardados com atenção, dado o impacto que podem ter nas decisões futuras do Banco Central e no comportamento da caderneta de poupança.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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