Recentemente, um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) revelou que a fome no Brasil diminuiu de forma significativa em lares chefiados por mulheres que recebem o Bolsa Família. Os dados demonstram que 71% dos domicílios que alcançaram segurança alimentar são liderados por mulheres, destacando a importância do papel feminino na administração das finanças familiares.
A pesquisa, intitulada 'Mulheres no centro da redução da insegurança alimentar no Brasil', foi divulgada em um evento na sede da FGV no Rio de Janeiro. O levantamento compara informações dos últimos trimestres de 2023 e 2024, evidenciando que a insegurança alimentar grave em lares chefiados por mulheres caiu de 9,6% para 7,2%, uma redução de 2,4 pontos percentuais. Para os lares chefiados por homens, a diminuição foi menor, passando de 8,6% para 6,8%.
Conforme a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia), a insegurança alimentar grave refere-se à falta de alimentos suficientes para adultos e crianças, uma realidade que muitos lares enfrentam. Por outro lado, a segurança alimentar é caracterizada pelo acesso adequado a alimentos, sem que isso comprometa outras necessidades básicas.
A pesquisadora Janaína Rodrigues Feijó, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, atribui a redução da fome à capacidade das mulheres em gerenciar os recursos do Bolsa Família de maneira mais eficaz. Ela destaca que, quando mulheres têm controle financeiro, há uma tendência de direcionar os gastos para itens que promovem o bem-estar familiar e infantil, como saúde e educação.
Considerado o principal programa de transferência de renda do Brasil, o Bolsa Família atende famílias com renda mensal de até R$ 218 por pessoa. O benefício básico é de R$ 600, podendo ser aumentado em situações específicas, como a presença de crianças ou grávidas. Atualmente, o programa atende aproximadamente 18,73 milhões de famílias, com um investimento significativo do governo.
O estudo também revela que 70,8% das famílias que conseguiram alcançar a segurança alimentar são chefiadas por mulheres, sendo que 61,4% dessas mulheres são pretas ou pardas. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, enfatizou a relevância das transferências de renda para mulheres em situação de vulnerabilidade, associando o combate à fome à luta contra a desigualdade racial e à promoção da educação.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, ressaltou a estratégica decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de priorizar mulheres como beneficiárias do programa. Essa abordagem visa fortalecer a autonomia feminina e garantir que as mulheres tenham o poder de decisão sobre os gastos e o consumo dentro de suas famílias.
Os resultados do estudo da FGV não apenas revelam a eficácia do Bolsa Família na redução da fome, mas também destacam a importância do empoderamento feminino na gestão dos recursos familiares. O reconhecimento de que as mulheres desempenham um papel crucial na segurança alimentar é um passo significativo em direção a políticas públicas que promovam igualdade e bem-estar social no Brasil.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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