Suspensão de Concessão de Hidrovias na Amazônia: Um Marco na Escuta dos Povos Indígenas

O Diário Oficial da União (DOU) publicou, na edição de hoje (24), o Decreto n° 12.856, que determina a suspensão do início dos estudos para a concessão à iniciativa privada das hidrovias de três importantes rios da Amazônia: o Tapajós, o Madeira e o Tocantins.

Decisão do Governo e Repercussões

A medida, que revoga os efeitos do Decreto n° 12.600, foi anunciada no dia anterior pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, em conjunto com a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara. Essa ação é uma resposta às demandas de comunidades indígenas que se opõem à concessão, especialmente aquelas localizadas na região do Baixo Tapajós, nas proximidades de Santarém, no oeste do Pará.

Compromisso com a Escuta dos Povos Originários

Em declarações à imprensa, Boulos enfatizou que o governo está comprometido em ouvir as vozes dos cidadãos, dos trabalhadores e, em particular, dos povos indígenas. Ele destacou que esta decisão reflete a disposição do governo em reconsiderar suas ações com base nas preocupações expressas por essas comunidades, afirmando que não se trata de um governo que ignora a floresta ou os povos originários.

Mobilizações Indígenas e Protestos

A decisão de suspender a concessão das hidrovias ocorre em meio a intensas mobilizações por parte de grupos indígenas. Em protesto contra o decreto anterior, representantes dessas comunidades ocuparam o escritório da multinacional do agronegócio Cargill localizado no Porto de Santarém e realizaram acampamentos em Brasília e São Paulo, onde permaneceram por vários dias, demandando a atenção do governo para suas reivindicações.

Perspectivas Futuras

Com a suspensão dos estudos para a concessão das hidrovias, o governo sinaliza uma nova abordagem em relação à exploração econômica na Amazônia, priorizando a escuta e o respeito aos direitos das comunidades tradicionais. A continuidade desse diálogo será fundamental para a construção de políticas que considerem a preservação ambiental e a valorização das culturas locais.

Conclusão

A publicação do Decreto n° 12.856 marca um passo significativo na relação entre o governo e os povos indígenas da Amazônia. A decisão de suspender as concessões de hidrovias reflete um comprometimento em ouvir e atender às demandas dessas comunidades, destacando a importância de um diálogo aberto e respeitoso na construção de políticas públicas que envolvem a rica biodiversidade e as culturas que habitam a região.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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