
Supremo Tribunal Federal Confirma Mandantes do Assassinato de Marielle Franco
O Supremo Tribunal Federal (STF) está em processo de julgamento dos responsáveis pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes. Nesta terça-feira (24), o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, afirmou que as evidências apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) deixam claro que os irmãos Domingos e João Francisco Inácio Brazão são os mandantes dos crimes, devendo ser responsabilizados integralmente.
Os Réus Envolvidos no Caso
Os irmãos Brazão, junto a outras figuras proeminentes, estão entre os réus do processo. Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, e seu irmão, o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, são acusados ao lado de Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil, e Ronald Alves de Paula, major da Polícia Militar. Todos os réus encontram-se em prisão preventiva, aguardando os desdobramentos legais.
Provas e Testemunhos
Durante as investigações, um total de 55 testemunhas foram ouvidas, das quais 9 foram indicadas pela acusação e 46 pela defesa. O relator destacou a relevância dos depoimentos e a robustez das provas coletadas, que sustentam a acusação de que os irmãos Brazão e Rivaldo Barbosa desempenharam funções fundamentais na orquestração do crime. A delação do ex-policial Ronnie Lessa, que confessou ter disparado contra Marielle, também foi crucial para esclarecer a dinâmica do crime.
A Conexão com Organizações Criminosas
Alexandre de Moraes ressaltou que os réus estavam envolvidos em uma organização criminosa que operava no Rio de Janeiro. Segundo a PGR, essa rede utilizava práticas de grilagem e extorsão, além de manter vínculos estreitos com milícias que atuavam como suporte político para as campanhas dos irmãos Brazão. O relator também mencionou que a atividade principal do grupo era a exploração irregular do solo urbano, um fator que contribuiu para o aumento de sua influência na região.
Motivações por trás do Crime
O ministro Moraes destacou que Marielle Franco se tornou um símbolo da resistência contra as práticas ilegais dos irmãos Brazão. A PGR argumentou que sua morte visava não apenas eliminar a oposição política que ela representava, mas também intimidar outros que poderiam seguir seu exemplo de resistência. Esse contexto revela a gravidade dos interesses econômicos em jogo e a determinação dos réus em silenciar qualquer ameaça aos seus negócios ilícitos.
Consequências e Expectativas
O caso Marielle Franco continua a ser um marco na luta por justiça no Brasil. O julgamento não apenas busca responsabilizar os culpados pelo crime, mas também expor a corrupção e a ligação entre política e crime organizado no Rio de Janeiro. O andamento do processo é acompanhado de perto pela sociedade civil e por organizações que clamam por uma investigação justa e completa, na esperança de que a verdade prevaleça.
Conforme o julgamento avança, a expectativa é que novas evidências e testemunhos possam surgir, contribuindo para um desfecho que traga não apenas justiça para Marielle e Anderson, mas que também fortaleça a luta contra a impunidade e a corrupção no país.






