Moradores de Perus Denunciam Manipulação em Audiência Pública sobre Incinerador
Recentemente, moradores de Perus, um bairro na zona norte de São Paulo, manifestaram indignação após serem excluídos da primeira audiência pública convocada pela prefeitura e pelo governo estadual. O evento, destinado a discutir os impactos da instalação de um incinerador de lixo, levantou suspeitas de manipulação, com a presença de pessoas não residentes da comunidade.
Audiência Pública e Suspeitas de Fraude
A audiência, que teve como tema a Unidade de Recuperação de Energia (URE) Bandeirantes, projetada pela empresa Logística Ambiental São Paulo S.A. (Loga), foi marcada por controvérsias. Segundo relatos, ônibus trouxeram indivíduos desconhecidos pelos moradores, os quais formaram filas para se inscrever e discursar, supostamente com o intuito de silenciar as vozes locais que se opõem ao projeto.
Recrutamento de 'Participantes' e Reação da Comunidade
Uma pessoa que participou da audiência revelou ter sido paga para atuar como moradora de Perus. O indivíduo, que preferiu manter sua identidade em sigilo, explicou que nos últimos anos tem buscado trabalho em grupos que preparam plateias para programas de auditório. Durante a audiência, era orientado por um supervisor sobre como reagir às intervenções, o que levanta sérias questões sobre a legitimidade do evento.
Impedimentos e Conflitos na Audiência
Com o auditório do CEU Perus superlotado, aproximadamente 500 residentes da área ficaram sem poder participar. Embora funcionários da prefeitura tentassem acomodar a situação com a instalação de televisores no foyer, muitos cidadãos, incluindo crianças, foram forçados a esperar do lado de fora sob a chuva. A Guarda Civil Metropolitana estava presente, reforçando a segurança, mas sua atuação gerou tensão, com relatos de que impediram a fala de representantes eleitos.
Reivindicações e Questões de Saúde
Mario Bortoto, engenheiro químico e uma das vozes proeminentes contra o incinerador, destacou que a consulta à população é um direito garantido por lei. Ele expressou preocupação com os impactos do incinerador não apenas pela emissão de resíduos tóxicos, mas também pelo aumento do tráfego de caminhões na região. Bortoto alertou que a aprovação do projeto poderia agravar a já precária situação de saúde dos moradores locais.
Desafios Sociais e Mobilização Comunitária
A falta de acesso a serviços de saúde adequados é um problema crônico em Perus, exacerbado por preconceitos que afastam profissionais da área. Bortoto mencionou que a carência de médicos na região está relacionada à segurança e à distância geográfica, além de questões estruturais, como moradia e educação. Thais Santos, química e consultora da WWF Brasil, também expressou sua preocupação com a manipulação da audiência e destacou a necessidade de um espaço verdadeiramente democrático para discutir assuntos relevantes ao território.
Conclusão: A Luta por Voz e Representatividade
A situação em Perus ilustra a luta contínua de comunidades marginalizadas por voz e representação. Com a realização de uma audiência popular planejada pelos moradores e a mobilização de líderes locais, como os guarani mbya, a resistência se fortalece. A batalha contra a instalação do incinerador não é apenas uma questão ambiental, mas um reflexo das maiores demandas sociais, como saúde, moradia e dignidade, que precisam ser abordadas de forma inclusiva e respeitosa.






