Como a Polícia Federal Acessa Celulares Bloqueados: Entrevista com Perito Especializado
A Polícia Federal (PF) do Brasil emprega uma variedade de ferramentas tecnológicas que possibilitam o acesso a dados de dispositivos móveis de investigados, mesmo quando estes estão protegidos por senhas, desligados ou bloqueados. Em uma recente entrevista ao programa CNN Prime Time, o perito em crimes digitais Wanderson Castilho elucidou o processo de extração de informações, que tem sido fundamental em investigações de casos como o conhecido 'Caso Master'.
Autorização e Ferramentas Utilizadas
Wanderson Castilho destacou que, no Brasil, apenas a Polícia Federal, a Polícia Civil e o Ministério Público possuem a autorização para utilizar softwares especializados em quebra de senhas e recuperação de dados. Esses programas atuam realizando tentativas sistemáticas para descobrir senhas ou explorando vulnerabilidades nos dispositivos móveis. Essa abordagem se torna crucial em investigações onde o acesso a informações pode ser determinante para a elucidação de crimes.
Métodos de Quebra de Segurança
O especialista explicou que existem duas principais metodologias para quebrar a segurança de um celular. A primeira é quando o dispositivo está ligado e a senha já foi inserida, mas o celular foi bloqueado. Nesse estado, a identificação das senhas se torna mais simples, pois elas permanecem na memória do aparelho. A segunda, mais complexa, ocorre quando o celular está desligado e precisa ser religado sem a inserção da senha.
Descriptografia e Acesso a Mensagens
Um ponto crucial abordado por Castilho foi a criptografia das mensagens. Ele afirmou que, embora aplicativos como o WhatsApp ofereçam garantias de criptografia durante a transmissão, ao chegar no dispositivo do destinatário, as mensagens são descriptografadas. "Se eu encontrar a sua senha de alguma forma, poderei acessar aquelas mensagens já descriptografadas", ressaltou o perito.
Recuperação de Dados Apagados
A entrevista também trouxe à tona a possibilidade de recuperação de mensagens e fotos que foram excluídas. Castilho esclareceu que mensagens convencionais podem ser recuperadas por softwares forenses, ao contrário das enviadas com a função de 'visualização única', que não são recuperáveis, pois ficam armazenadas apenas nos servidores da Meta, empresa responsável pelo WhatsApp. No entanto, ele observou que investigados frequentemente utilizam uma técnica de tirar prints de conversas e enviá-las como visualização única, o que permite a recuperação da imagem mesmo após a exclusão.
Rastreabilidade das Mensagens
Questionado sobre a rastreabilidade das mensagens, Castilho foi enfático: "A rastreabilidade é totalmente possível. Uma vez que eu tenho o equipamento desbloqueado, consigo identificar exatamente para quem as mensagens foram enviadas, incluindo qualquer tipo de anexo, seja áudio ou foto, assim como o momento e horário em que isso ocorreu." Essa habilidade de rastreamento é crucial para as operações da PF, permitindo uma compreensão detalhada das comunicações entre os investigados.
A entrevista de Wanderson Castilho não apenas esclareceu os métodos utilizados pela Polícia Federal na extração de dados, mas também levantou questões importantes sobre privacidade e segurança digital. À medida que as tecnologias evoluem, a forma como as autoridades lidam com essas questões se torna cada vez mais complexa, exigindo um equilíbrio entre investigação e direitos individuais.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br






