Crescimento das Vendas no Comércio: Fatores Explicativos e Impactos
O comércio varejista brasileiro atingiu um patamar recorde em vendas, impulsionado por dois fatores principais: a oferta de crédito à pessoa física e a taxa de desemprego historicamente baixa. Mesmo em um cenário de juros elevados, esses elementos têm contribuído para o fortalecimento do setor.
Desempenho do Comércio Varejista
Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em janeiro, o volume de vendas no comércio aumentou 0,4% em comparação a dezembro, igualando o maior nível já registrado anteriormente, em novembro de 2025. Este crescimento se reflete em todos os segmentos, incluindo hipermercados, supermercados e produtos alimentícios, que também apresentaram aumento de 0,4%.
Mercado de Trabalho e Massa Salarial
O gerente da Pesquisa Mensal de Comércio, Cristiano Santos, ressalta o papel do mercado de trabalho na economia. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) revela um crescimento de 2,9% na massa salarial em janeiro em relação ao mês anterior, totalizando R$ 370,3 bilhões. Essa recuperação no rendimento dos trabalhadores está diretamente relacionada ao patamar recorde da taxa de desemprego, que alcançou 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, marcando a menor taxa já registrada.
A Influência do Crédito
O crédito à pessoa física também desempenha um papel crucial nesse cenário. Em janeiro, a oferta de crédito cresceu 1,6% em relação a dezembro, mesmo com a taxa Selic em 15% ao ano, a mais alta desde julho de 2006. Santos observa que, apesar da alta nos juros, o crédito continua a crescer, o que pode sustentar o comércio em um nível elevado. Apesar de uma queda de 6,2% nos empréstimos para aquisição de veículos, o crédito pessoal permanece como o principal motor do comércio.
Contexto dos Juros Altos
A manutenção da taxa Selic em níveis elevados é uma medida do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central para controlar a inflação, que, em 2025, ficou acima da meta de 3% ao ano. Essa alta na Selic encarece o crédito e pode desestimular investimentos e consumo, levando a uma menor procura por produtos e serviços. A consequência disso é o esfriamento da inflação, embora também possa resultar em uma desaceleração na geração de empregos.
Concorrência e Inovação no Setor Financeiro
A professora de economia da faculdade Ibmec-RJ, Gecilda Esteves, destaca que a expansão do crédito à pessoa física, mesmo diante da Selic elevada, pode ser atribuída à concorrência entre instituições financeiras e ao aumento da bancarização. O surgimento das fintechs, que utilizam tecnologia para oferecer serviços financeiros digitais, tem ampliado a oferta de crédito, favorecendo a inclusão bancária e permitindo que mais pessoas tenham acesso a recursos financeiros.
Open Finance e Acesso ao Crédito
Além disso, a implementação do sistema Open Finance, onde os clientes permitem que instituições financeiras acessem suas informações pessoais, também contribui para a análise de riscos. Isso possibilita uma melhor identificação de perfis de crédito, facilitando o acesso a empréstimos e tornando o crédito mais acessível e barato. Essa combinação de fatores demonstra como a inovação no setor financeiro pode impactar positivamente o consumo e a economia como um todo.
Em resumo, o crescimento nas vendas do comércio varejista é resultado de uma interação complexa entre a oferta de crédito, a situação do mercado de trabalho e as inovações financeiras. Apesar dos desafios impostos pela taxa de juros, o cenário atual sugere um ambiente propício para o fortalecimento do setor.






