Relatório da ONU Revela Tortura Sistematizada em Israel com Apoio Estatal

A tortura de palestinos em Israel, abrangendo crianças, mulheres e homens, é descrita como uma prática generalizada e sistemática que se tornou parte da doutrina estatal do país. Essa afirmação é de Francesca Albanese, relatora especial das Nações Unidas para os direitos humanos nos territórios palestinos ocupados, que divulgou um relatório detalhado nesta semana.

Apoio Institucional e Social à Tortura

No documento, Albanese argumenta que a prática da tortura é respaldada por altos níveis do governo, incluindo o Executivo, Legislativo e Judiciário, além de contar com a anuência da sociedade civil. Segundo ela, essa situação representa uma forma de dominação colonial e uma arma no genocídio em curso contra o povo palestino.

A Escala da Tortura e a Legitimidade Social

Embora a tortura tenha sido uma constante na relação entre Israel e os palestinos, Albanese observa que, nos últimos tempos, essa prática ganhou uma dimensão sem precedentes e uma legitimação que perpetua a impunidade. O que antes acontecia de forma clandestina agora é realizado abertamente, caracterizando um regime de humilhação e degradação.

Detalhes do Relatório e Repercussões

O relatório de 23 páginas é baseado em mais de 300 depoimentos de sobreviventes, denunciantes israelenses e organizações que atuam nas prisões. Albanese, que foi proibida de entrar em Israel, recebeu apoio de várias fontes, embora o governo israelense tenha desqualificado seu trabalho, chamando-o de antissemitismo e caracterizando-o como um discurso ativista.

Métodos de Tortura Expostos

Os métodos de tortura relatados vão desde abusos sexuais, como estupros e fome induzida, a técnicas físicas cruéis, incluindo queimaduras, afogamento simulado e choques elétricos. Albanese destaca que os detidos frequentemente são tratados de forma desumana, sendo descritos como 'esqueletos humanos'.

Impacto Sobre Crianças e Detenções em Massa

O relatório também menciona a detenção de crianças palestinas, que frequentemente ocorrem sem acusação formal e sem o devido contato com familiares ou advogados. Desde outubro de 2023, estima-se que mais de 18,5 mil palestinos tenham sido detidos, incluindo 1,5 mil crianças, com um número significativo mantido em desaparecimento forçado.

Impunidade e Falta de Responsabilização

Albanese ressalta que o sistema judiciário israelense prioriza a segurança em detrimento dos direitos humanos, permitindo que confissões obtidas sob tortura sejam aceitas como válidas. Isso resulta em uma impunidade quase total, com apenas duas investigações e nenhuma acusação formal registradas em relação a mais de 1.300 denúncias de tortura entre 2001 e 2020.

Casos Notórios de Abusos

O relatório menciona um caso polêmico de suposto estupro coletivo em uma prisão militar, evidenciado por um vídeo que circulou na mídia. As imagens mostram guardas israelenses agredindo um detido, levantando questões sobre a impunidade e o tratamento desumano a que os prisioneiros são submetidos.

Conclusão

A divulgação deste relatório pela ONU lança luz sobre a grave situação dos direitos humanos nos territórios palestinos e a normalização da tortura em Israel. A falta de responsabilização e a legitimação social das práticas denunciadas exigem uma reflexão urgente sobre os mecanismos de proteção dos direitos fundamentais na região.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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