Regulamentação das Doulas: Avanços na Integração com o SUS
A recente regulamentação da profissão de doula, aprovada na quarta-feira da semana passada, marca um passo significativo na padronização da atuação dessas profissionais em todo o Brasil. Essa nova legislação não apenas unifica as diretrizes já existentes em diversas redes estaduais e municipais, mas também enfatiza a integração das doulas ao Sistema Único de Saúde (SUS), um aspecto amplamente celebrado pelas associações da categoria.
Definição e Limitações da Profissão
A nova lei estabelece de forma ampla as atribuições das doulas, sem restringir sua atuação a um único aspecto do processo de gestação e parto. Entretanto, ela delimita claramente as áreas em que as doulas podem atuar, dividindo suas funções em pré-parto, parto e pós-parto. É importante destacar que, de acordo com a norma, essas profissionais não têm permissão para realizar procedimentos médicos, fisioterápicos ou de enfermagem, nem para prescrever ou administrar medicamentos.
O Papel da Doula na Humanização do Parto
A diretora da Associação das Doulas do Estado de São Paulo (Adosp), Gislene Rossini, ressalta a importância do acolhimento qualificado proporcionado pelas doulas. Segundo ela, essa relação desenvolve um vínculo entre a gestante, sua família e a rede de apoio, desde as primeiras consultas de pré-natal. Esse suporte não apenas transforma a experiência da mulher durante a gestação, mas também fortalece sua consciência sobre o papel que desempenha no parto.
Colaboração com Outros Profissionais de Saúde
Rossini enfatiza que a presença das doulas não deve ser vista como uma competição com outros profissionais de saúde, mas sim como uma oportunidade de colaboração. A regulamentação, segundo ela, é um passo importante para vencer resistências e fortalecer a atuação das doulas nos cuidados às mulheres. Essa abordagem colaborativa visa enriquecer a experiência do parto, melhorando os resultados para todas as partes envolvidas.
Repercussão da Regulamentação na Comunidade de Saúde
A nova legislação recebeu uma recepção positiva tanto por parte do Executivo quanto do Legislativo, além de ser elogiada por conselhos de outras profissões da saúde, como a enfermagem. Renne Cosmo da Costa, coordenador da Câmara Técnica de Saúde da Mulher no Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), reconhece a regulamentação como um passo equilibrado e maduro, ressaltando que a presença das doulas é benéfica, especialmente no que diz respeito ao acolhimento emocional e à humanização do parto.
Importância do Pré-Parto e da Informação
A atuação das doulas não se limita ao momento do parto, mas começa desde o pré-parto, quando elas atuam como facilitadoras de informação e apoio. Maria Ribeiro, presidenta da Adosp, afirma que esse período é crucial para que as famílias possam explorar suas opções e tomar decisões informadas sobre o parto. A busca por informações e o planejamento adequado são essenciais para uma experiência de parto mais gratificante.
Conclusão: Um Caminho para o Futuro
A regulamentação da profissão de doula representa um avanço significativo na valorização do cuidado à saúde da mulher no Brasil. Com a integração ao SUS e o reconhecimento formal da profissão, espera-se que mais mulheres tenham acesso a um atendimento humanizado e de qualidade durante a gestação e o parto. Essa mudança não apenas beneficia as gestantes, mas também fortalece o sistema de saúde como um todo, promovendo uma assistência mais colaborativa e respeitosa.






