Crescimento do Comércio Brasileiro em Março: Impulsos do Dólar Baixo e Vendas em Alta

O comércio brasileiro registrou um crescimento de 0,5% de fevereiro para março, impulsionado pela desvalorização do dólar que facilitou as vendas de produtos importados. Esta foi a terceira alta consecutiva do setor, que agora atinge seu maior nível histórico.

Comparativo Anual e Acumulado

Em um panorama mais amplo, o comércio também apresentou um avanço de 4% em relação a março do ano anterior, e uma expansão de 1,8% no acumulado dos últimos doze meses. Esses dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em sua Pesquisa Mensal de Comércio.

Desempenho Mensal do Comércio

Analisando os meses anteriores, o comportamento do comércio se revelou positivo desde outubro de 2022, apesar da queda de 0,3% em dezembro. Os índices mensais foram: outubro (0,5%), novembro (1%), dezembro (-0,3%), janeiro (0,5%), fevereiro (0,7%) e março (0,5%).

Setores em Alta

Segundo o analista Cristiano Santos, cinco dos oito grupos de atividades analisados pelo IBGE mostraram crescimento em março. Os maiores destaques foram: equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (5,7%), combustíveis e lubrificantes (2,9%), e outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,9%).

Impacto do Dólar nas Vendas

O aumento nas vendas de equipamentos de informática, que subiram 5,7%, está diretamente relacionado à desvalorização do dólar, que reduziu o preço dos produtos importados. Em março, a moeda americana estava cotada a R$ 5,23, comparado a R$ 5,75 no mesmo mês do ano anterior. Santos explica que as empresas aproveitaram a oportunidade para aumentar seus estoques e realizar promoções.

Combustíveis e Supermercados

Apesar do aumento nos preços dos combustíveis devido a tensões internacionais, a atividade de combustíveis e lubrificantes também cresceu 2,9%. Santos observa que a demanda se manteve firme, resultando em um aumento de 11,4% nas receitas. Em contrapartida, o setor de hiper e supermercados, que responde por mais da metade do comércio, registrou uma queda de 1,4%, atribuída à inflação que desestimulou o consumo.

Perspectivas do Varejo

Mesmo com a queda em março, o desempenho dos supermercados não indica uma tendência de regressão, visto que o setor havia crescido 0,3% em janeiro e 1,4% em fevereiro. No varejo ampliado, que inclui atividades de atacado como veículos e produtos alimentícios, o indicador subiu 0,3% de fevereiro para março, resultando em um crescimento de 0,2% no acumulado dos últimos doze meses.

Conclusão

O crescimento do comércio em março reflete uma combinação de fatores, incluindo a desvalorização do dólar e a adaptação das empresas às condições do mercado. Com uma tendência de alta contínua, os próximos meses serão cruciais para avaliar a sustentabilidade desse crescimento e a recuperação de setores impactados pela inflação.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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