Protestos de Motoristas de Aplicativo em São Paulo Contra Regulamentação do Setor
Na manhã desta terça-feira, dia 14, motoristas de aplicativo em São Paulo realizaram um protesto significativo contra aspectos do Projeto de Lei 152/2025, que visa regulamentar os serviços de transporte privado remunerado e de entrega. A manifestação, que envolveu a circulação de veículos pelas principais avenidas da cidade, culminou na Praça Charles Miller, localizada no Pacaembu.
Retirada da Proposta da Pauta
A primeira votação do projeto, que é de autoria do deputado Luiz Gastão (PSD-CE), estava agendada para o mesmo dia da manifestação, mas foi retirada da pauta a pedido do líder do governo, José Guimarães (PT-CE), na noite anterior. Essa decisão gerou alívio entre os motoristas, que temem os impactos negativos que a regulamentação poderia trazer para suas atividades.
Principais Pontos do Projeto de Lei
O Projeto de Lei 152/2025 inclui várias propostas que têm gerado controvérsia entre os motoristas. Dentre os pontos mais criticados estão a classificação dos profissionais como autônomos, o que impede o reconhecimento de vínculo empregatício sob a CLT, e a proposta de um piso mínimo de R$ 8,50 por corrida. Além disso, o projeto sugere uma contribuição reduzida para a previdência, de 5% para motoristas e 20% para as plataformas, além de definir as empresas como meras intermediárias de tecnologia.
Vozes da Manifestação
Thiago Luz, um dos coordenadores do movimento, expressou a importância da união entre motoristas e motoboys para combater a proposta: "Nossa intenção é realizar uma carreata para chamar a atenção até que essa proposta seja retirada". Júnior Freitas, que representa os entregadores, também se manifestou contra o PL, ressaltando que o projeto precariza as condições de trabalho e se alinha mais aos interesses das empresas de aplicativos do que aos dos trabalhadores.
Reação da Amobitec
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) emitiu uma nota reconhecendo que existem aspectos no substitutivo do projeto que precisam ser aprimorados. A entidade destacou preocupações em relação à imposição de uma taxa mínima para entregas e a limitação na taxa de serviço das plataformas, afirmando que tais medidas poderiam desestabilizar a relação entre oferta e demanda, impactando negativamente a renda dos trabalhadores e o acesso da população aos serviços.
Apoio à Regulamentação Justa
Apesar das críticas, a Amobitec também reconheceu os avanços que o novo relatório traz e reafirmou seu compromisso em colaborar para que a regulamentação beneficie tanto os trabalhadores autônomos quanto a viabilidade econômica das plataformas. A associação enfatiza que sua proposta, apresentada em 2022, visa assegurar a proteção social dos trabalhadores e democratizar os serviços no Brasil.
Conclusão
Os protestos dos motoristas de aplicativo em São Paulo refletem uma insatisfação crescente com as propostas de regulamentação que, segundo eles, podem comprometer suas condições de trabalho. A discussão em torno do Projeto de Lei 152/2025 continua, com promessas de diálogo entre as partes envolvidas em busca de uma solução que atenda tanto as necessidades dos trabalhadores quanto as exigências do mercado. O desfecho dessa situação poderá definir o futuro da mobilidade urbana e do trabalho por aplicativos no Brasil.






