Recomendações do MPRJ para Uso Adequado de Câmeras Corporais nas Polícias do Rio
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) emitiu recomendações esta semana com o intuito de assegurar o uso correto das câmeras corporais por agentes das polícias Civil e Militar, após constatar uma série de falhas no seu emprego durante operações policiais. A iniciativa é uma resposta ao descaso observado na utilização dessas ferramentas, que têm como finalidade garantir a transparência e a responsabilidade nas ações de segurança pública.
Motivações das Recomendações
As recomendações do MPRJ surgem em decorrência de investigações realizadas pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP/MPRJ). Essas investigações foram desencadeadas pelos eventos trágicos da Operação Contenção, que ocorreu em outubro de 2025, nas comunidades da Penha e do Alemão, resultando na morte de 122 pessoas. Diante desse cenário, o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campo Moreira, enfatizou a necessidade de respeitar as normas relacionadas ao uso de câmeras corporais durante as ações policiais.
Ação sobre a Morte da Médica
Em um caso recente que reforçou a urgência das recomendações, o GAESP/MPRJ solicitou informações à Polícia Militar sobre a morte da médica Andrea Marins Dias, ocorrida em 15 de outubro de 2023, no bairro de Cascadura, na zona norte do Rio de Janeiro. Na ocasião, as câmeras corporais dos três policiais envolvidos na abordagem estavam descarregadas, impedindo qualquer registro do que aconteceu. Esse fato alarmante destaca a necessidade de uma revisão imediata das práticas atuais.
Irregularidades Identificadas
Nos documentos encaminhados às secretarias de segurança, o procurador-geral detalhou diversas inconsistências observadas durante a Operação Contenção. Entre as irregularidades, destacam-se a falta de uso de câmeras por alguns policiais, a presença de equipes inteiras sem câmeras funcionais ou com baterias carregadas, e o início das operações com equipamentos descarregados. Além disso, a insuficiência de baterias suplementares e a falta de planejamento para a distribuição adequada dos dispositivos foram também mencionadas.
Orientações para a Polícia Civil
Em relação à Polícia Civil, o GAESP/MPRJ propôs melhorias no uso das câmeras corporais. As orientações exigem que os policiais utilizem esses dispositivos em operações ostensivas, ao longo de ações de controle de distúrbios civis, em interdições, reintegrações possessórias e ao cumprimento de mandados judiciais, entre outras situações. A expectativa é que essas diretrizes ajudem a promover maior transparência e responsabilidade nas operações policiais.
Encaminhamentos ao STF
Além das recomendações aos secretários estaduais, o MPRJ também enviou ofícios ao Supremo Tribunal Federal (STF) em relação à Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 635. Essa iniciativa visa reforçar a prerrogativa constitucional do Ministério Público na supervisão da atividade policial, buscando garantir que os direitos fundamentais sejam respeitados e que a segurança pública seja exercida com responsabilidade.
Conclusão
As recentes ações do MPRJ refletem uma preocupação crescente com a eficácia e a ética nas operações policiais no Rio de Janeiro. O correto uso das câmeras corporais é crucial para assegurar a transparência nas ações dos agentes de segurança e para proteger os direitos dos cidadãos. Com as recomendações, espera-se que haja uma mudança significativa nas práticas policiais, promovendo um ambiente mais seguro e respeitoso para todos.






